quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Educação pelo exemplo



É voz corrente que as crianças adoram os avós. Seja porque eles lhes fazem as vontades ou porque lhes dispensam mais tempo, considerando que, normalmente, o tem mais livre, por estarem aposentados.
Enfim, os netos adoram ficar com os avós. Por isso, em muitas famílias, existe até uma programação específica, durante o mês, para um ou outro final de semana em que os netos se instalam na casa deles.
O pequeno Gabriel, nos seus quatro anos, não era exceção. Com sua mochila, com tudo e mais um pouco do que poderia precisar, passava alguns finais de semana na casa dos avós.
Eram sempre dias um tanto tumultuados porque o pequeno parecia um furacão. Adorava jogar bola com as mãos, com os pés. E, por vezes, atingindo lustres e abajures.
Na hora de dormir, desejava ouvir histórias contadas pelo avô. Histórias do tempo em que ele era criança. Gostava de ouvir aquelas coisas que o avô fazia, na sua infância, que parecia perdida nos anos.
Algumas brincadeiras um tanto diferentes das suas: subir em árvores, jogar bolinha de gude, pescar no riacho perto de casa...
Tudo isso deliciava, especialmente, o avô, o mais falante, o que mais interagia com o pequeno.
Foi na hora do café da manhã, que tudo aconteceu. O avô ofereceu uma fruta ao neto, que a rejeitou. Também a outra não foi aceita.
Desejando que o menino se servisse de algo saudável na primeira refeição do dia, o avô apanhou uma caneca, que trazia os dizeres: Para o meu sobrinho mais querido.
Como um grande ator, ele traduziu, entusiasmado, os dizeres:
Então, vamos tomar um leite com chocolate nesta caneca espetacular, que comprei especialmente para você?
Aqui está escrito: Para o meu neto querido, Gabriel, com todo meu amor.
Naturalmente, as intenções daquele avô eram as melhores possíveis.
No entanto, o garoto se mostrou desconfiado.
Deixe eu ver, vô, pediu ele. E tomou o utensílio em suas pequenas mãos.
Como um especialista, inspecionou, devagar, todos os símbolos e sinais escritos nela e indagou:
Vô, me diga uma coisa. Onde está o G e depois o A para fazer GA, de Gabriel? Eu não estou vendo nada disso aqui. Eu sei como se escreve meu nome.
Como a situação se resolveu, não nos foi contado. Não sabemos se o avô admitiu sua aparentemente inocente mentira, e o que se desenrolou na sequência.
No entanto, é bom pensarmos quantas vezes, em nossa vontade de acertar, erramos.
Ou seja, quantas vezes, faltamos com a verdade para com os nossos pequenos? Verdade que, cedo ou tarde, eles descobrem.
Diante disso, é de nos questionarmos com que direito lhes desejamos ensinar que devem dizer a verdade, que devem ser honestos, que não devem enganar a ninguém?
Se os desejamos homens de bem, que no futuro poderão ocupar cargos na política, no empresariado, no comércio, na ciência, nas artes, no que for, primemos pela sua correta educação.
Se os exemplos falam muito mais alto do que as palavras, é bom repensarmos as nossas atitudes. Afinal de contas, todos somos educadores: pais, avós, professores, tios, primos.
Educamos para as coisas positivas ou não. Educamos com nosso exemplo, com nossa forma de ser.
Tenhamos isso em mente antes de tentarmos distrair-lhes as mentes ou lhes conquistar os corações com invenções tolas ou inverdades.
Pensemos nisso. Os pequenos têm os olhos postos em nós, a todo momento e aguardam a melhor condução para as suas vidas.



Redação do Momento Espírita, a partir
de fato relatado por Laércio Furlan.
Em 20.1.2017.


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