segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Prática da Mediunidade

LEON DENIS - ESPÍRITOS E MÉDIUNS




O estudo e aplicação das faculdades medianímicas são de capital importância, já que, segundo o uso que se faça desses dons, podem resultar em um bem ou em um mal para quem os possua e para a causa que pretenda servir.
O Espiritismo é uma arma de dois gumes: arma poderosa – com o apoio dos espíritos elevados – para combater os erros, a mentira e todas as misérias morais da humanidade; mas também uma arma perigosa pela ação dos espíritos inferiores e maus. Nesse caso, pode voltar-se contra os médiuns e os experimentadores e ferir-lhes a saúde e a dignidade, causando desordens graves.
Na experimentação espírita, tudo depende dos invisíveis. A natureza e a qualidade de sua ação variam segundo o valor das entidades que se manifestam.
Os espíritos elevados derramam, sobre nós, fluidos puros e benéficos, que reconfortam nossas almas e acalmam nossas dores, predispondo-nos à bondade e à caridade. Em nosso relacionamento com eles, obtemos as forças necessárias para vencer nossos defeitos e nos aperfeiçoarmos.
As manifestações dos espíritos inferiores podem ser úteis pelas provas de identidade que proporcionam, mas, sem demora, seus fluidos pesados e maus alteram o estado de saúde dos médiuns, turvam seu juízo e sua consciência e, em certos casos, desembocam na obsessão e na loucura.
As trágicas cenas descritas pelo Dr. Paul Gibier em seu livro Espiritismo ou Faquirismo Ocidental, das quais quase termina vítima, e os exemplos que encontramos um pouco em todas as partes, nos demonstram, até à evidência, os riscos que se corre ao se estabelecer relações continuadas com os levianos do espaço.
Praticar o Espiritismo sem rodear-se de precauções necessárias equivale a abrir a porta, de par a par, para os assaltantes de rua.
Recordemos em que consistem as precauções indispensáveis. Antes de cada sessão, há que se invocar os espíritos guias e assegurar uma proteção eficaz que, afastando as más influências, estabeleça no ambiente invisível a mesma disciplina que o presidente do grupo deve impor aos assistentes.
Com este fim, Allan kardec recomenda a oração e nós não titubeamos em insistir nesse sentido.
Sem dúvida que, como a ele, nos chamarão de místicos, mas o que fazemos é observar e aplicar a lei universal das vibrações, que une todos os seres e todos os mundos e os liga a Deus.
A Ciência começa apenas a balbuciar os primeiros elementos dessa lei com o estudo da radioatividade dos corpos, com a aplicação das ondas e correntes à longa distância. Mas, à medida que prossiga nas investigações do Invisível, comprovará sua maravilhosa harmonia e suas vastas consequências.
A partir deste ponto de vista, lhe estão reservados esplêndidos descobrimentos, porque nisso reside todo o segredo da vida superior, da vida livre do espírito no Espaço e as regras de suas manifestações.
Com o pensamento e a vontade podemos pôr em movimento todas as forças escondidas em nós mesmos. Nossas irradiações fluídicas se impregnam das qualidades ou dos defeitos dos pensamentos e criam, em torno de nós, um ambiente de conformidade com nosso estado de alma.
Como a oração é a expressão mais alta e mais pura do pensamento, traça uma via fluídica que permite às entidades do Espaço descerem até nós e se comunicarem; nos grupos ela constitui um meio favorável à produção de fenômenos de ordem elevada, ao mesmo tempo que preserva contra os maus espíritos.
Para que seja eficaz e produza todo o efeito desejado, a oração deve ser um chamamento ardente, espontâneo e, por conseguinte, de breve duração: pelo contrário, as orações vulgares, recitadas da boca para fora, sem calor comunicativo, não produzem senão irradiações débeis insuficientes.
Fácil, portanto, será compreender a necessidade de que haja, nas sessões, união de pensamentos e vontades. Deve-se ter presente, sobretudo, a importância que exercem nas emissões fluídicas os sentimentos de fé, de confiança, de desinteresse, em uma palavra: todas as qualidades morais, as facilidades que elas dão aos bons espíritos, de par com os obstáculos que opõem à ação dos espíritos mal-intencionados.
E, tudo isso, sem excluir o livre exame e as condições de controle que nenhum observador deve abandonar jamais.
Tão pouco há que se surpreender se os resultados obtidos são relativamente trabalhosos e pobres em ambientes em que reina uma atmosfera de ceticismo, onde se pretende dar ordens aos fenômenos e aos espíritos, e nos que, sem saber, criam travas às manifestações de ordem elevada.
Ademais, o presidente de cada grupo deve esforçar-se em obter silêncio e recolhimento durante as sessões, e evitar as perguntas inoportunas e demasiado pessoais, que pretendam dirigir aos espíritos, para manter, dentro do possível, a união dos pensamentos e das vontades, dirigindo-os para uma finalidade comum.
Os pensamentos divergentes e as preocupações materiais formam correntes desencontradas, uma espécie de caos fluídico, que dificulta a intervenção dos guias, enquanto que a concordância de intenções e de sentimentos estabelece a fusão harmônica dos fluidos e cria um ambiente propício à sua ação.
A sessão deve terminar com algumas palavras de agradecimento aos espíritos protetores e convidando os participantes a aproveitar os ensinamentos recebidos, praticando a moral que deles se deriva.
Com suas críticas, nossos contraditores inexperientes demonstram, com frequência, sua escassa competência nestes assuntos. Mas, por outro lado, todos os magnetizadores conhecem a propriedade que têm os fluidos de refletir exatamente nosso estado de ânimo e sabem imprimir-lhes, às vezes, qualidades benéficas e curativas.
Também é possível demonstrar, experimentalmente, a existência e a variedade infinita desses fluidos que diferem em cada personalidade.
Pode-se facilmente tirar placas fotográficas com as irradiações que se desprendem de nossos cérebros, e registrar os fluidos que variam segundo as disposições pessoais.

O exercício da mediunidade encontra dois obstáculos temíveis: o espírito de lucro e o orgulho. (Quantos médiuns começaram animados de um sincero desejo de servir à nossa causa e terminaram, por causa do orgulho, por cair no ridículo, convertendo-se em motivo de zombaria para todos!)
A satisfação de si mesmo é perfeitamente legítima, quando é o resultado de qualidades ou de méritos adquiridos por meio de trabalho ou estudos prolongados. Como sentir orgulho por uma faculdade que veio do Alto e que não precisou de gastos nem esforços?
O orgulho é o que inspira essas rivalidades, essa inveja mesquinha entre médiuns, causa frequente de desunião em alguns grupos. É preciso que cada um se contente com o que recebe.
Quando o médium está isento de vaidade, é franco de coração, e, com a sinceridade de sua alma, aos olhos de Deus, oferece seu concurso aos bons espíritos, estes se apressam em assisti-lo e o ajudam a desenvolver suas faculdades.
Cedo ou tarde levam até junto dele os parentes falecidos, os amados mortos, reatando-se uma doce intimidade, fonte de alegrias e consolos. Pouco a pouco o médium vai se tornando o artífice bendito da obra de renovação. Recebe e transmite as instruções que iluminam a vida e traçam a via de ascensão para todos, proporcionando, assim, a ajuda moral que faz mais fácil o dever e mais suportável a prova.
Assim, com os ensinamentos dos espíritos, a noção de justiça se estenderá pelo mundo. Ao saber que viemos quase todos para expiar faltas anteriores, o homem não se mostrará tão inclinado a murmurar contra a sua sorte, e seu pensamento se elevará acima das misérias deste mundo, evitando que seus atos ou suas palavras aumentem o peso das injustiças que sobre si recaem. Então a vida social poderá melhorar, e a humanidade adiantará um passo.
Todas essas humildes vidas de médiuns que, a não ser por isso, ficariam obscuras e insignificantes, se verão enriquecidas pela missão recebida, iluminadas por um raio divino e se converterão em elementos de progresso e de regeneração.
O contato com o Invisível, com as almas puras e grandes, aumenta as faculdades psíquicas e multiplica os meios de percepção. Nas sessões bem dirigidas, o médium percebe, cada vez mais, as irradiações, os fluidos dos mundos superiores. Experimenta uma dilatação de seu ser, uma soma de gozos que escapam à análise e que são, como uma antecipação da vida espiritual, um prelúdio da vida do espaço. É uma compensação oferecida, já nesta existência, às fadigas e trabalhos pelo exercício da mediunidade.

O médium sincero, leal, desinteressado – como dizíamos – pode estar seguro da assistência dos bons espíritos; mas se ele se deixar invadir pelo amor ao lucro, ou pelo orgulho, os Espíritos Guias se afastam e deixam o caminho aos espíritos fracos e atrasados. Então, aumentam os enganos e as fraudes. Aparecem mensagens firmadas com nomes pomposos de estadistas, reis, imperadores ou poetas célebres, porém, quando se passam essas comunicações pela peneira da razão e da reflexão, nos damos conta de que somos vítimas de uma fraude.
Não é que queiramos dizer que esses grandes espíritos não se comunicam nunca, mas aconselhamos a maior prudência neste ponto, pois sabemos, por experiência, que os espíritos elevados, que tiveram nomes ilustres na Terra, não gostam de vangloriar-se deles, preferindo manifestar-se com nomes alegóricos e pseudônimos. Vários médiuns contribuíram, dessa maneira, a desnaturar o Espiritismo.
Allan Kardec, pela retidão de seu caráter, a dignidade de sua vida e pela elevação de seus pensamentos, teve o privilégio de atrair espíritos nobres e elevados. Leiamos e meditemos seus livros, que são a expressão da mais pura sabedoria e verdade.
Por exemplo, em suas obras este grande escritor sempre se levantou, com vigor, contra o princípio da mediunidade assalariada, como causa de abusos inumeráveis.
Recordemos, antes de mais nada, que a mediunidade é variável, inconstante e pode desaparecer tal como veio. Não exige estudos prévios, nem usa laboriosa preparação como na aquisição de uma arte, de uma ciência, etc. É um dom que é retirado, quando se abusa dele.
Os exemplos disso são frequentes. A mediunidade, cujos resultados são muito diferentes segundo os lugares, o ambiente e a proteção oculta, e são com frequência negativos, pouco serviria a uma utilização regular e contínua. Os guias sérios, os espíritos elevados não se prestariam a isso.
Admitimos, não obstante, que os sábios e os experimentadores que se servem das faculdades de um médium e monopolizam seu tempo, firmem com ele um compromisso e o indenizem por suas viagens e pelas horas perdidas. Assim mesmo, consideramos que os grupos devem aos médiuns, depois de prolongados serviços, mostras de simpatia e atenção, com a condição de que isso não atente contra o princípio da mediunidade gratuita e desinteressada.
Poderá alegar-se que faz cinquenta anos que Allan Kardec faleceu; que as circunstâncias mudaram, que o Espiritismo se estendeu, e a Ciência começa a interessar-se por seus fenômenos, sendo, portanto, conveniente proporcionar os meios que lhe permitam comprovar e confirmar tais fenômenos.
A isto responderemos que os conceitos formulados por Allan Kardec não perderam nada de sua oportunidade. E, precisamente porque o Espiritismo se estende e está chamado a representar um grande papel, porque leva a si os elementos de salvação e de regeneração, é que se há de preservá-lo de toda mancha e evitar, quanto possa, diminuir seu valor e sua beleza. Porém, o que é incontestável é que todo tráfico inspira desconfiança. O afã de ganhar leva ao charlatanismo e ao engano. Quando o médium adquire o costume de tirar proveito material de suas faculdades vai resvalando, pouco a pouco, para a fraude porque, se os fenômenos não se produzem, procura imitá-los.
Em todas as partes em que o Espiritismo é objeto de comércio, os espíritos sérios se afastam e os espíritos inferiores vêm ocupar seu lugar.
Nesses ambientes, o Espiritismo perde toda a influência benfeitora e moralizadora para converter-se em um verdadeiro perigo, em uma exploração da dor e das recordações dos mortos.
Em resumo, repetimos aos espiritistas e aos médiuns em vossas reuniões, pratiquem sempre o recolhimento e a oração; que esta seja como um facho luminoso que alcance diretamente seu fim, e atraia os bons espíritos; se não for assim, não virão as almas que desejam, não virão vossos mortos queridos.
Não façais de vossas sessões um objeto de diversão, de curiosidade, um espetáculo para boquiabertos, mas um ato grave e solene, um ato de cultura intelectual e moral. Não atraiam os espíritos de ordem inferior, cujos fluidos podem alterar vossa saúde e provocar casos de obsessão. Não evoqueis vossos guias, senão com a consciência de que o fazeis com respeito.
Todos têm sua missão a cumprir no Mais-Além; suas ocupações são múltiplas e absorventes. Sua vida está muito distante de ser a beatitude sonhada; é uma atividade constante, uma dedicação abnegada para todas as grandes causas.
Seus ensinamentos, seus conselhos os ajudarão a suportar as vicissitudes da existência terrena, eles vos darão a certeza de novas vidas futuras, vidas de trabalho, de purificação, de dever, por meio das quais vossas almas, ao se fazerem mais tolerantes, subirão um dia para essas esferas luminosas, nas quais começarão a desfrutar as alegrias do Infinito.

Neste momento, levanta-se sobre o mundo uma grande esperança, começa a despontar uma nova aurora para o Pensamento e para a Ciência. O Espiritismo, que se baseia na verdade, é imperecível, mas sua marcha pode se ver entorpecida pelos erros e faltas de seus próprios partidários, muito mais do que pela oposição e manejos de seus adversários.
Chagará um dia em que tudo quanto ensinam os espíritos, faz quase um século, sobre o períspirito, os fluidos, a sucessão de existências, tudo será admitido como certo e confirmado pela Ciência.
Reconhecer-se-á então a importância da oração na comunicação universal dos seres. E as ladainhas monótonas e intermináveis da Igreja cessarão, para dar lugar ao grito da alma para seu Pai, ao chamamento ardente do ser humano àquele de quem tudo emana e para quem tudo volta eternamente.
Quando tal dia chegar, a Religião e a Ciência se fundirão em uma concepção mais ampla da vida e do destino. O Espiritismo será o culto da família; o pai, mais instruído, mais culto, substituirá o sacerdote; a esposa e as filhas serão as médiuns por cujo intermédio os antepassados, as almas dos avós se manifestarão e assegurarão sua influência moral. Será o retorno à religião franca e primitiva, enriquecida pelo progresso e a evolução dos séculos; sobre esse culto familiar cimentar-se-ão as imponentes reuniões e as mais altas manifestações da ordem estética.
Entretanto, para que o Espiritismo realize todo o seu programa renovador, terá que afastar de seu seio os germes mórbidos e todos os elementos maus que poderiam entorpecer ou deter seu impulso. Deste modo, a responsabilidade dos espíritas é grande. Eles devem evitar, com cuidado, tudo quanto possa retardar o grandioso florescimento de nossas crenças e de seus efeitos moralizadores.
O Espiritismo, depois de haver sido, tanto tempo, repudiado, menosprezado, se impõe definitivamente pelo poder de seus fatos e pela beleza moral de sua doutrina. Converteu-se numa força radiante que se estende progressivamente pelo mundo.
Depois das provas de uma guerra de cinco anos, depois do luto e do vazio causado por tantas partidas, muitos olhares chorosos se voltam para ele.

Nós, que temos conhecido as dificuldades e os sofrimentos do princípio, comprovamos, com alegria, este imenso impulso que leva as almas para nossas crenças. Contudo, para assegurar a difusão e o triunfo definitivo, para obter o respeito de seus adversários e desempenhar o papel salvador que lhe corresponde na obra de ressurgimento da pátria, o Espiritismo deve cumprir uma condição absoluta, sem a qual não é possível êxito algum, e esta condição não é outra senão a de ser sempre honrado, seguindo as tradições de seu venerado fundador.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Educação pelo exemplo



É voz corrente que as crianças adoram os avós. Seja porque eles lhes fazem as vontades ou porque lhes dispensam mais tempo, considerando que, normalmente, o tem mais livre, por estarem aposentados.
Enfim, os netos adoram ficar com os avós. Por isso, em muitas famílias, existe até uma programação específica, durante o mês, para um ou outro final de semana em que os netos se instalam na casa deles.
O pequeno Gabriel, nos seus quatro anos, não era exceção. Com sua mochila, com tudo e mais um pouco do que poderia precisar, passava alguns finais de semana na casa dos avós.
Eram sempre dias um tanto tumultuados porque o pequeno parecia um furacão. Adorava jogar bola com as mãos, com os pés. E, por vezes, atingindo lustres e abajures.
Na hora de dormir, desejava ouvir histórias contadas pelo avô. Histórias do tempo em que ele era criança. Gostava de ouvir aquelas coisas que o avô fazia, na sua infância, que parecia perdida nos anos.
Algumas brincadeiras um tanto diferentes das suas: subir em árvores, jogar bolinha de gude, pescar no riacho perto de casa...
Tudo isso deliciava, especialmente, o avô, o mais falante, o que mais interagia com o pequeno.
Foi na hora do café da manhã, que tudo aconteceu. O avô ofereceu uma fruta ao neto, que a rejeitou. Também a outra não foi aceita.
Desejando que o menino se servisse de algo saudável na primeira refeição do dia, o avô apanhou uma caneca, que trazia os dizeres: Para o meu sobrinho mais querido.
Como um grande ator, ele traduziu, entusiasmado, os dizeres:
Então, vamos tomar um leite com chocolate nesta caneca espetacular, que comprei especialmente para você?
Aqui está escrito: Para o meu neto querido, Gabriel, com todo meu amor.
Naturalmente, as intenções daquele avô eram as melhores possíveis.
No entanto, o garoto se mostrou desconfiado.
Deixe eu ver, vô, pediu ele. E tomou o utensílio em suas pequenas mãos.
Como um especialista, inspecionou, devagar, todos os símbolos e sinais escritos nela e indagou:
Vô, me diga uma coisa. Onde está o G e depois o A para fazer GA, de Gabriel? Eu não estou vendo nada disso aqui. Eu sei como se escreve meu nome.
Como a situação se resolveu, não nos foi contado. Não sabemos se o avô admitiu sua aparentemente inocente mentira, e o que se desenrolou na sequência.
No entanto, é bom pensarmos quantas vezes, em nossa vontade de acertar, erramos.
Ou seja, quantas vezes, faltamos com a verdade para com os nossos pequenos? Verdade que, cedo ou tarde, eles descobrem.
Diante disso, é de nos questionarmos com que direito lhes desejamos ensinar que devem dizer a verdade, que devem ser honestos, que não devem enganar a ninguém?
Se os desejamos homens de bem, que no futuro poderão ocupar cargos na política, no empresariado, no comércio, na ciência, nas artes, no que for, primemos pela sua correta educação.
Se os exemplos falam muito mais alto do que as palavras, é bom repensarmos as nossas atitudes. Afinal de contas, todos somos educadores: pais, avós, professores, tios, primos.
Educamos para as coisas positivas ou não. Educamos com nosso exemplo, com nossa forma de ser.
Tenhamos isso em mente antes de tentarmos distrair-lhes as mentes ou lhes conquistar os corações com invenções tolas ou inverdades.
Pensemos nisso. Os pequenos têm os olhos postos em nós, a todo momento e aguardam a melhor condução para as suas vidas.



Redação do Momento Espírita, a partir
de fato relatado por Laércio Furlan.
Em 20.1.2017.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

20/01 - Salve São Sebastião, salve Oxóssi!!!


Oxóssi é o orixá da caça e da fartura, das florestas e das relações entre o reino animal e vegetal. É representado nas florestas caçando com seu arco e flecha.
Oxóssi é a expansão dos limites, enquanto a caça é uma metáfora para o conhecimento, a expansão maior da vida.
Ao atingir o conhecimento, Oxóssi acerta o seu alvo. Por este motivo, é um dos orixás ligados ao campo do ensino, da cultura, da arte.
Nas antigas tribos africanas, cabia ao caçador, que era quem penetrava o mundo “de fora”, a mata, trazer tanto a caça quanto as folhas medicinais. Além disso, eram os caçadores que localizavam os locais para onde a tribo poderia futuramente mudar-se, ou fazer uma roça.
Assim, o orixá da caça extensivamente é responsável pela transmissão de conhecimento, pelas descobertas. O caçador descobre o novo local, mas são os outros membros da tribo que instalam a tribo neste mesmo novo local. Assim, Oxóssi representa a busca pelo conhecimento puro: a ciência, a filosofia. Enquanto cabe a Ogum a transformação deste conhecimento em técnica.
Apesar de ser possível fazer preces e oferendas a Oxóssi para os mais diversas facetas da vida, pelas características de expansão e fartura desse orixá, os fiéis costumam solicitar o seu auxílio para solucionar problemas com a alimentação da tribo, o que costumeiramente cabe aos caçadores.
Por suas ligações com a floresta, pede-se a cura para determinadas doenças e, por seu perfil guerreiro, proteção espiritual e material.




Oração São Sebastião

Glorioso mártir São Sebastião, nosso valoroso padroeiro e defensor, vós que derramastes vosso sangue e destes vossa vida em testemunho da fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, alcançai-nos do mesmo Senhor, a graça de lutarmos contra a desonestidade, a ganância, a corrupção que geram a violência, e que são os verdadeiros inimigos da justiça, da esperança, da paz e do amor.
Protegei, com a vossa poderosa intercessão, os filhos desta Terra de Santa Cruz. Livrai-nos de toda epidemia corporal, moral e espiritual. Fazei que se convertam aqueles que são instrumentos de infelicidade para os outros. Que o justo persevere na fé e propague o amor de Deus, até o triunfo final.
Glorioso batalhador da fé socorrei-nos em nossas fraquezas e necessidades urgentes. Rogai por nós junto ao trono do Altíssimo. Nós queremos tê-lo sempre como nosso especial advogado e protetor. Prometemos nunca deixar de vos honrar e divulgar a devoção para convosco.

São Sebastião, advogado contra as epidemias, a fome e as guerras, rogai por nós sem cessar. Amém.





Eu vi chover, eu vi relampejar
Mas mesmo assim o céu estava azul
Samborê pemba
Folha da Jurema
Oxossi reina
De norte a sul




                  Salve a fartura!!! 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

ELEMENTAIS


Os elementais são seres singulares, multiformes, invisíveis, sempre presentes em todas as atividades da Natureza, além do plano físico. São veículos da vontade criadora, potencializadores das forças, leis e processos naturais. Sua existência é constatada por muitos e ignorada pela maioria. Em síntese, podemos dizer que eles são os executores das manifestações do instinto entre os animais, levando-os a agir desta ou daquela maneira, sendo essa, uma de suas mais úteis e interessantes tarefas.
Os povos antigos se referiram a eles no passado, e milhares os viram e ainda os vêem, quando são videntes, ou quando exteriorizados dos corpos físicos (emancipação da alma); e farta é a literatura espiritualista que os noticia; e no próprio Espiritismo, há referências sobre eles, que são, aliás, figuras vivas e familiares aos médiuns videntes e de desdobramento. Sobre referências no Espiritismo vamos encontrar nas questões 536 a 540 do O Livro dos Espíritos, "a ação dos Espíritos sobre os fenômenos da Natureza".
A ação dos elementais.
No livro O Centro Espírita, de J.Herculano Pires, pg. 105, capítulo 12, que fala sobre o fim do mundo, há um trecho onde Herculano Pires afirma:
“... os fisiólogos gregos sabiam disso, e quando Tales de Mileto se referia aos deuses que enchiam o mundo, em todas as suas dimensões, afirmava o princípio espírita de que a estrutura planetária, em seus mínimos detalhes, é controlada pelos Espíritos incumbidos da manutenção da Terra, desde os simples elementais (ainda em evolução para a condição humana), até os Espíritos Superiores, próximos da Angelitude, que supervisionam e orientam as atividades telúricas”.
Encontramos ainda, no Livro Atualidade do Pensamento Espírita, pelo Espírito de Vianna de Carvalho, psicografia de Divaldo Pereira Franco, (edição 1999) a pergunta de número 63:
"O Espiritismo ensina que os Espíritos governam o clima da Terra utilizando para isso Entidades - os elementais da Teosofia - as quais, segundo algumas fontes, habitam os bosques, os campos naturais e as florestas virgens. Haverá alguma relação entre desmatamento, seca e elementais? Em caso afirmativo, para onde vão esses Espíritos quando se dá o desmatamento?"
R. : "Todo desrespeito à vida é crime que se comete contra si mesmo. Aquele que é direcionado à Natureza constitui um gravame terrível, que se transforma em motivo de sofrimento, enfermidade e angústia, para quantos se levantam para destruir, particularmente dominados pela perversidade, pelo egoísmo, pelo vandalismo, pelos interesses pecuniários ...
Naturalmente, essas Entidades, que são orientadas pelos Espíritos Superiores, como ainda não dispõem de discernimento, porque não adquiriram a faculdade de pensar, são encaminhadas a outras experiências evolutivas, de forma que não se lhes interrompa o processo de desenvolvimento".
Os elementais encontram-se em toda parte: na superfície da terra, na atmosfera, nas águas, nas profundidades da subcrosta, junto ao elemento ígneo. Invisíveis aos olhares humanos, executam infatigável e obscuramente um trabalho imenso, nos mais variados aspectos, nos reinos da Natureza, junto aos minerais, aos vegetais, aos animais e aos homens.
A forma desses seres é muito variada, mas quase sempre aproximada da forma humana. O rosto é pouco visível, ofuscado quase sempre pelo resplendor energético colorido que o envolve. Os Centros de Força que, no ser humano são separados, nos elementais se juntam, se confundem, se somam, formando um núcleo global refulgente, do qual fluem inúmeras correntes e ondulações de energias coloridas tomando formas de asas, braços, cabeças...
Os elementais naturais formam agrupamentos inumeráveis compreendendo seres de vida própria, porém essencialmente instintiva que vão desde os micróbios, de duração brevíssima, até os chamados Espíritos da Natureza, que são agrupados nos Reinos, sob os nomes de Gnomos (elementais da terra), Silfos (elementais do ar), Ondinas (elementais das águas) e Salamandras (elementais do fogo) e todos eles interessam aos trabalhos mediúnicos do Espiritismo.








Os Gnomos cuidam das florestas - matas - dos desertos - regiões geladas, protegem os animais e produzem fenômenos naturais sob a supervisão de Espíritos.













As Ondinas cuidam dos mares - das águas e fenômenos naturais ligados as águas.





















Os Silfos dos ventos - furacões.





















As Salamandras a tudo que se relacione com fenômenos naturais ligados ao fogo.











Bibliografia:
- O Livro dos Espíritos - Allan Kardec
- O Centro Espírita - J.Herculano Pires
- Mediunidade - Edgard Armond-

- Atualidade - Divaldo P.Franco


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"Nada há encoberto que não venha a ser revelado; nem oculto, que não venha a ser conhecido" - Jesus (Mateus, 10:26).
Com esta pesquisa pretendemos fornecer algumas referências e subsídios sobre o assunto, que acreditamos serem úteis para novas pesquisas sobre o tema-título, ficando a critério de cada um ler, estudar, aprofundar e incorporar pela razão a aceitação ou não da existência real dos chamados espíritos elementais.
1. Na Codificação - Obras Básicas O termo "elemental" não existe, nesta forma e com este nome especifico, dentro da Codificação Kardequiana. Assim como, também, muitos termos não foram usados nas Obras Básicas, mas que com o tempo foram sendo revelados e utilizados pelos Espíritos em obras complementares e incorporados ao vocabulário espírita corrente, termos como: "ovóides", "umbral", "vampirismo", "colônias espirituais", "zoantropia", "licantropia", "aura", etc. O termo em si não existia, mas a idéia sim, porém com outros nomes, o que é o mais importante. Como dizem os Espíritos: "As palavras pouco importam. Compete-vos a vós formular a vossa linguagem de maneira a vos entender-vos" ("O Livro dos Es­píritos" (LE), questão 28). Ou ainda: "estais sempre inclinados a tomar as palavras na sua significação literal" (LE, q. 54). Todavia, o termo "elemental" pode ser encontrado e citado por outros autores espíritas.
O termo em si (elemental) é muito utilizado pela Teosofia, doutrina fundada pela russa Helena Blavatsky. Mas a idéia de que existem Espíritos, que obedecendo à chamada Lei de Progresso num estado contínuo de evolução, saindo do reino animal e ainda não tendo chegado ao reino hominal, estão num estado intermediário, chamado "elemental" ou "período ante-humano”, ou "estágio subumano”, pode ser encontrada no Espiritismo, não possuindo nenhuma conotação de cunho místico, ligado ao ocultismo, ou similares. Na verdade eles são os "espíritos servi­dores da natureza”, os executores dos fenômenos naturais. Ou ainda, são os "espíritos dos elementos da natureza”, que é de onde deriva o termo elemental.
Na questão 25, do LE, assevera Kardec: "Os Espíritos (..) constituem uma das potências da Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal explicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo”.
Nas questões de 536 a 540 do LE ("Ação dos Espíritos nos fenômenos da Natureza”), os Espíritos que ditaram as respostas às perguntas de Allan Kardec, falam da existência de Espíritos que presidem (ou não) os fenômenos da Natureza, dizendo que não são seres à parte da criação. Esses Espíritos podem ser superiores ou inferiores. Uns mandam (os superiores) e outros executam (os inferiores): "Primeiramente executam. Mais tarde quando suas inteligências já houverem alcançado um certo desenvol­vimento, ordenarão e dirigirão as coisas do mundo material. Depois, poderão dirigir as do mundo moral" (q. 540, LE).
N a "Revista Espírita”, editada por Allan Kardec, março de 1860, tradução da Edicel, pg. 98, há uma comunicação espontânea de um Espírito, que assina como Hettani, o gênio das flores, que diz presidir a formação das mesmas e que, segundo ele, ainda não havia encarnado. Após a comunicação, Kardec questiona ao Espírito São Luís, um dos Espíritos que, junto com Santo Agostinho e outros, responderam às muitas questões das obras da Codificação, sobre a veracidade desta comunicação. Parte do diálogo:
1 - (São Luís) "(. . .) - Não deveis duvidar de que o Espírito, por toda a Criação, preside ao trabalho que Deus lhe confia. (. . .) 2 - O Espírito [comunicante] não preside, de maneira particular, à formação das flores. O Espírito elementar, antes de passar à série animal, dirige sua ação fluídica para a criação vegetal. (...) Não age senão sob a direção de inteligências mais elevadas (..). Foi um desses que se comunicou [executor] (. . .). 5 - P. - Este Espírito que nos falou esteve encarnado? R. - Esteve.”
Como vemos, São Luís não usa o termo "elemental", mas sim "elementar". Mas, a ideia é a mesma: Espíritos que atuam sobre os elementos da Natureza, orientados por outros Espíritos supe­riores a eles.
Em "Obras Póstumas”, na parte, § 3°, "Criação”, n° 18, Kardec confirma: "Os Espíritos são os agentes da potência divina; constituem a força inteligente da Natureza e concorrem para a execução dos desígnios do Criador (..)”.
Encontramos também no LE, no capo XI, "Dos Três Reinos”, subcapítulo "Os Animais e os Homens”, questões de 592 a 610, importantes considerações sobre o processo evolutivo envolvendo os diversos reinos da Natureza. Existe uma Lei de Progresso que rege todo o desenvolvimento do ser es­piritual em contato com a matéria. Vejamos:
"604 - (. . .) Deus criou seres intelectuais perpetua­mente destinados à inferio­ridade (...)?
R: Tudo em a Natureza se encadeia por elos que ainda não podeis apreender. (. . .) na Natureza tudo se harmoniza mediante lei gerais (. . .)"
Vemos ainda em "A Gê­nese", cap. 6, item 19: "O Espírito não chega a receber a iluminação divina (. ..) sem haver passado pela série divi­namente fatal dos seres infe­riores, entre os quais se ela­bora lentamente a obra da sua individualização". E ainda no cap.11, item 23, discorre:
"(...) o princípio inteli­gente, distinto do princípio material, se individualiza e elabora, passando pelo diversos graus da anima­lidade. É aí que a alma se ensaia para a vida e desenvolve, pelo exercício, suas primeiras faculdades. (...) Haveria assim filiação espiritual do animal para o homem, como há filiação corporal. (...) Por haver passado pela fileira da animalidade, o homem não deixaria de ser homem”.
2. Nas Obras Complementares
Na obra "Evolução em dois Mundos”, de André Luiz, FEB, 2a parte, capo XVIII, pg. 212, encontramos:
"P. - Ainda, na atualidade, os Instrutores Espirituais intervêm na melhoria das formas evolutivas inferiores nas quais o princípio inteligente estagia? R. Sim, porque todos os campos da Natureza contam com agentes da Sabe­doria Divina para a formação e expansão dos valores evolutivos".
Vemos um exemplo desses Espíritos que executam, conforme citado ante­riormente no item das Obras Básicas, no livro "Nosso Lar", de André Luiz, que transcreveremos em parte. André Luiz se encontrava em seu lar terreno, um ano após sua estadia na colônia espiritual "N osso Lar". Queria ajudar Ernesto que se achava enfermo. Mentalmente chamou Narcisa, enfermeira de Nosso Lar. Esta, vindo a seu encontro, disse:
'Vamos à Natureza!' (...) Che­gando ao local (. . .) Narcisa chamou alguém, com expressões que eu não podia compreender. Daí a momentos, oito enti­dades atendiam-lhe ao apelo. Imensamente surpreendido, vi-a indagar da existência de mangueiras e eucaliptos. Devidamente informada pelos amigos, que me eram totalmente estranhos, a enfermeira ex­plicou: '- São servidores comuns do reino vegetal, os irmãos que nos atenderam . "
Vemos pela narrativa que estes espí­ritos da Natureza não eram superiores, nem espíritos humanos, pois André Luiz os teria reconhecido.
Entretanto afirmou que lhe "eram totalmente estranhos" e que Narcisa os chamou "com expressões que eu não podia compreender". Mas, define essas entidades como "servidores do reino vegetal”. Em outra obra, "Liber­tação”, p. 60, Ed. FEB, André Luiz nos fala mais dessas entidades agora situadas em zona bem inferior do mundo espiritual:
"Estamos numa colônia purgatorial de vasta expressão. Quem não cumpre aqui dolorosa penitência regenerativa, pode ser considerada inteligência subu­mana. Milhares de criaturas, utilizadas nos serviços mais rudes da natureza, movimentam-se nestes sítios em posição infraterrestre. A ignorância, por ora, não lhes confere a glória da responsabilidade. Em desenvolvimento de tendências dignas, candidatam-se à humanidade que conhe­cemos na Crosta. Situam-se entre o raciocínio fragmentário do macacóide e a idéia simples do homem primitivo da floresta" .
O escritor espírita, Herculano Pires, no livro "O Centro Espírita", p. 105, Ed. LAKE, nos traz as seguintes considerações sobre o assunto:
"Porque o mundo não é um objeto físico e mecânico, mas um ato de cons­ciência. Suas leis essenciais não são as das matérias, mas as leis morais e es­pirituais. Os filósofos gregos sabiam disso, e quando Tales se referia aos deuses que enchiam o mundo em todas as suas di­mensões, afirmava o princípio espírita de que a estrutura planetária, em seus mínimos detalhes, é controlada pelos Espíritos incumbidos da manutenção da Terra, desde os simples elementais (ainda em evolução para a condição humana) até os espíritos superiores, próximos da angelitude, que supervisionam e orientam as atividades telúricas".
Ainda Herculano Pires em outra obra, "Vampirismo", Ed. Paidéia, 1987, pg. 14/15, confirma:
"Cada plano da Natureza tem suas exigências especificas, que precisamos respeitar. Existem também os Espíritos da Natureza, que trabalham no plano físico. Essas entidades semimateriais, de corpos perispiríticos, estão em ascensão evolutiva para o plano hominal. São os chamados elementares da concepção teosófica, derivada das doutrinas espi­ritualistas da Índia. As funções dessas entidades na Natureza são de grande responsabilidade”.
Herculano aqui já utiliza o mesmo termo (elementar) também usado anterior­mente pelo espírito São Luís, mas fazendo referência ao mesmo elemental da concepção teosófica.
Encontramos ainda no livro, "Atua­lidade do Pensamento Espírita”, pelo Espírito Vianna de Carvalho, psicografia do médium Divaldo Pereira Franco, pergunta de número 63:
"P: O Espiritismo ensina que os Es­píritos governam o clima da Terra utili­zando para isso entidades - os elementais da Teosófica -, os quais, segundo algumas fontes, habitam os bosques, os campos naturais e as florestas virgens. Haverá alguma relação entre desmatamento, seca e elementais? Em caso afirmativo, aonde vão esses Espíritos quando se dá o desmatamento?
R: Todo desrespeito à vida é crime que se comete contra si mesmo. Aquele que é direcionado à Natureza constitui um gravame terrível, que se transforma em motivo de sofrimento, enfermidade e angústia, para quantos se levantam para destruir, particularmente dominados pela perversidade, pelo egoísmo, pelo vandalismo, pelos interesses pecuniários ...
Naturalmente, essas entidades, que são orientadas pelos Espíritos Superiores, como ainda não dispõem de discerni­mento, porque não adquiriram a fa­culdade de pensar, são encaminhadas a outras experiências evolutivas, de forma que não se lhes interrompa o processo de desenvolvimento”.
Encontramos ainda oportuna entre­vista fornecida pelo médium e expositor espírita Divaldo Franco à "Revista Es­pírita Allan Kardec”, do Estado de Goiás, ano V, n° 17, agosto a outubro/92, pg. 08/09. Este exemplar traz ainda extensa reportagem sobre o assunto e que pode ser encontrada na página da Internet da revista. Vejamos apenas algumas per­guntas e respostas:
"P. Divaldo, existem os chamados Espíritos elementais ou Espíritos da Natureza? R. Sim, existem os Espíritos que contribuem em favor do desenvol­vimento dos recursos da Natureza. Em todas as épocas eles foram conhecidos, identificando-se através de nomenclatura variada, fazendo parte da mitologia dos povos, alguns deles, "deuses”, que se faziam temer ou amar.
P. Qual o estágio evolutivo desses Espíritos? R. Alguns são de elevada cate­goria e comandam os menos evoluídos, que se lhes submetem docilmente, la­borando em favor do progresso pessoal e geral, na condição de auxiliares daqueles que presidem aos fenômenos da Natureza.
P. Esses Espíritos apresentam-se com forma definidas, como por exemplo fadas, duendes, gnomos, silfos, elfos, sátiros, etc? R. Alguns deles, senão a grande maioria dos menos evoluídos, que ainda não tiveram reencarnações na Terra, apresentam-se, não raro, com formas especiais, de pequena dimensão, o que deu origem aos diversos nomes nas socie­dades mitológicas do passado. Acredi­tamos, pessoalmente, por experiências mediúnicas, que alguns vivem o período intermediário entre as formas primitivas e hominais, preparando-se para futuras reencarnações humanas.
P. Que tarefas executam? R. Inume­ráveis. Protegem os vegetais, os animais, os homens. Contribuem para acontecimentos diversos: tempestades, chuvas, maremotos, terremotos ... Interferindo nos fenômenos "normais" da Natureza sob o comando dos Engenheiros Espirituais que operam em nome de Deus que "não exerce ação direta sob a matéria ...” (q. 536b do LE).
Vemos, pelos depoimentos acima, as referências que pudemos colher sobre esses seres ainda pouco estudados e muito desconhecidos.
Uma pesquisa mais detalhada poderá, posteriormente, fazer surgir maiores informações e escla­recimentos sobre o tema, que pode e deve ser mais aprofundado revelando, assim, um conhecimento maior sobre o mundo espiritual ao nosso redor e a imensa criação divina. Ficamos, por enquanto, por aqui.
Revista Internacional de Espiritismo


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SERES ELEMENTAIS OU ELEMENTARES OU ESPÍRITOS DA NATUREZA

A existência dos elementais, segundo os antigos anciãos e sábios do passado, explicava a dinâmica do universo. Como seres reais, eram responsabilizados pelas mudanças climáticas e correntes marítimas, pela precipitação da chuva ou pelo fato de haver fogo, entre muitos outros fenômenos da natureza. Apesar de ser uma explicação mitológica, própria da maneira pela qual se estruturava o conhecimento na época, eles não estavam enganados. Tanto assim que, apesar de a investigação científica não haver diagnosticado a existência concreta desses seres através de seus métodos, as explicações dadas a tais fenômenos não excluem a ação dos elementais. Pelo contrário.
Os sábios da Antiguidade acreditavam que o mundo era formado por quatro elementos básicos: terra, água, ar e fogo. Não obstante, com o transcorrer do tempo, a ciência viesse a contribuir com maiores informações a respeito da constituição da matéria, não tornou o conhecimento antigo obsoleto. A medicina milenar da China, por exemplo, que já começa a ser endossada pelas pesquisas científicas atuais, igualmente identifica os quatro elementos. Sob o ponto de vista da magia, os quatro elementos ainda permanecem, sem entrar em conflito com as explicações científicas modernas. Os magistas e ocultistas estabeleceram uma classificação dos elementais sob o ponto de vista desses elementos, considerando-os como forças da natureza ou tipos de energia.
Então os elementais não possuem consciência de si mesmos? São apenas energia? Não. Os seres elementais, irmãos nossos na criação divina, têm uma espécie de consciência instintiva. Podemos dizer que sua consciência está em elaboração. Apesar disso, eles se agrupam em famílias, assim como os elementos de uma tabela periódica.
Os elementais são entidades espirituais relacionadas com os elementos da natureza. Lá, em meio aos elementos, desempenham tarefas muito importantes. Na verdade, não seria exagero dizer inclusive que são essenciais à totalidade da vida no mundo. Através dos elementais e de sua ação direta nos elementos é que chegam às mãos do homem as ervas, flores e frutos, bem como o oxigênio, a água e tudo o mais que a ciência denomina como sendo forças ou produtos naturais. Na natureza, esses seres se agrupam segundo suas afinidades.
Seriam então esses agrupamentos aquilo que se chama de família? Isso mesmo! Essas famílias elementais, como as denominamos, estão profundamente ligadas a este ou aquele elemento: fogo, terra, água e ar, conforme a especialidade, a natureza e a procedência de cada uma delas.
Os elementais já estiveram encarnados na Terra ou em outros mundos? Encarnações humanas, ainda não. Eles procedem de uma larga experiência evolutiva nos chamados reinos inferiores e, como princípios inteligentes, estão a caminho de uma humanização no futuro, que somente Deus conhece. Hoje, eles desempenham um papel muito importante junto à natureza como um todo, inclusive auxiliando os encarnados nas reuniões mediúnicas e os desencarnados sob cuja ordem servem.
Como podem auxiliar em reuniões mediúnicas? Como expliquei, podem-se classificar as famílias dos elementais de acordo com os respectivos elementos. Junto ao ar, por exemplo, temos a atuação dos silfos ou das sílfides, que se apresentam em estatura pequena, dotados de intensa percepção psíquica. Eles diferem de outros espíritos da natureza por não se apresentarem sempre com a mesma forma definida, permanente. São constituídos de uma substância etérea, absorvida dos elementos da atmosfera terrestre. Muitas vezes apresentam-se como sendo feitos de luz e lembram pirilampos ou raios. Também conseguem se manifestar, em conjunto, com um aspecto que remete aos efeitos da aurora boreal ou do arco-íris.
Disso se depreende, então, que os silfos são os mais evoluídos entre todas as famílias de elementais? Eu diria apenas que os silfos são, entre todos os elementais, os que mais se assemelham às concepções que os homens geralmente fazem a respeito de anjos ou fadas. Correspondem às forças criadoras do ar, que são uma fonte de energia vital poderosa.
Então eles vivem unicamente na atmosfera? Nem todos. Muitos elementais da família dos silfos possuem uma inteligência avançada e, devido ao grau de sua consciência, oferecem sua contribuição para criar as correntes atmosféricas, tão preciosas para a vida na Terra. Especializaram-se na purificação do ar terrestre e coordenam agrupamentos inteiros de outros elementais. Quanto à sua contribuição nos trabalhos práticos da mediunidade, pode-se ressaltar que os silfos auxiliam na criação e manutenção de formas-pensamento, bem como na estruturação de imagens mentais. Nos trabalhos de ectoplasmia, são auxiliares diretos, quando há a necessidade de reeducação de espíritos endurecidos.
E os outros elementais? Duas classes de elementais que merecem atenção são as ondinas e as ninfas, ambas relacionadas ao elemento água. Geralmente são entidades que desenvolvem um sentimento de amor muito intenso. Vivem no mar, nos lagos e lagoas, nos rios e cachoeiras e, na umbanda, são associadas ao orixá Oxum. As ondinas estão ligadas mais especificamente aos riachos, às fontes e nascentes, bem como ao orvalho, que se manifesta próximo a esses locais. Não podemos deixar de mencionar também sua relação com a chuva, pois trabalham de maneira mais intensa com a água doce. As ninfas, elementais que se parecem com as ondinas, apresentam-se com a forma espiritual envolvida numa aura azul e irradiam intensa luminosidade.
Sendo assim, qual é a diferença entre as ondinas e as ninfas, já que ambas são elementais das águas? A diferença básica entre elas é suavidade e a doçura das ninfas, que voam sobre as águas, deslizando harmoniosamente, como se estivessem desempenhando uma coreografia aquática. Para completar, temos ainda as sereias, personagens mitológicos que ilustraram por séculos as histórias dos marinheiros. Na realidade, sereias e tritões são elementais ligados diretamente às profundezas das águas salgadas. Possuem conotação feminina e masculina, respectivamente. Nas atividades mediúnicas, são utilizados para a limpeza de ambientes, da aura das pessoas e de regiões astrais poluídas por espíritos do mal.
Você pensou que tudo isso não passasse de lenda. Mas devo lhe afirmar que, em sua grande maioria, as lendas e histórias consideradas como folclore apenas encobrem uma realidade do mundo astral, com maior ou menor grau de fidelidade. É que os homens ainda não estão preparados para conhecer ou confrontar determinadas questões.
E as fadas? Bem, podemos dizer que as fadas sejam seres de transição entre os elementos terra e ar. Note-se que, embora tenham como função cuidar das flores e dos frutos, ligados à terra, elas se apresentam com asas. Pequenas e ágeis, irradiam luz branca e, em virtude de sua extrema delicadeza, realizam tarefas minuciosas junto à natureza. Seu trabalho também compreende a interferência direta na cor e nos matizes de tudo quanto existe no planeta Terra. Como tarefa espiritual, adoram auxiliar na limpeza de ambientes de instituições religiosas, templos e casas espíritas. Especializaram-se em emitir determinada substância capaz de manter por tempo indeterminado as formas mentais de ordem superior. Do mesmo modo, auxiliam os espíritos superiores na elaboração de ambientes extra-físicos com aparências belas e paradisíacas. E, ainda, quando espíritos perversos são resgatados de seus antros e bases sombrias, são as fadas, sob a supervisão de seres mais elevados, que auxiliam na reconstrução desses ambientes. Transmutam a matéria astral impregnada de fluidos tóxicos e daninhos em castelos de luz e esplendor.
Temos ainda as salamandras, que são elementais associados ao fogo. Vivem ligados àquilo que os ocultistas denominaram éter e que os espíritas conhecem como fluido cósmico universal. Sem a ação das salamandras o fogo material definitivamente não existiria. Como o fogo foi, entre os quatro elementos, o primeiro manipulado livremente pelo homem, e é parte de sua história desde o início da escalada evolutiva, as salamandras acompanham o progresso humano há eras. Devido a essa relação mais íntima e antiga com o reino hominal, esses elementais adquiriram o poder de desencadear ou transformar emoções, isto é, podem absorvê-las ou inspirá-las. São hábeis ao desenvolver emoções muito semelhantes às humanas e, em virtude de sua ligação estreita com o elemento fogo, possuem a capacidade de bloquear vibrações negativas, possibilitando que o homem usufrua de um clima psíquico mais tranquilo.
Nas tarefas mediúnicas e em contato com o comando mental de médiuns experientes, as salamandras são potentes transmutadores e condensadores de energia. Auxiliam sobremaneira na queima de objetos e criações mentais originadas ou associadas à magia negra. Os espíritos superiores as utilizam tanto para a limpeza quanto para a destruição de bases e laboratórios das trevas. Habitados por inteligências do mal, são locais-chave em processos obsessivos complexos, onde, entre diversas coisas, são forjados aparelhos parasitas e outros artefatos. Objetos que, do mesmo modo, são destruídos graças à atuação das salamandras.
E os duendes e gnomos? Também existem ou são obras da imaginação popular? Sem dúvida que existem! Os duendes e gnomos são elementais ligados às florestas e, muitos deles, a lugares desertos. Possuem forma anã, que lembra o aspecto humano. Gostam de transitar pelas matas e bosques, dando sinais de sua presença através de cobras e aves, como o melro, a graúna e também o chamado pai-do-mato. Excelentes colaboradores nas reuniões de tratamento espiritual, são eles que trazem os elementos extraídos das plantas, o chamado bioplasma. Auxiliam assim os espíritos superiores com elementos curativos, de fundamental importância em reuniões de ectoplasmia e de fluidificação das águas.
Temos ainda os elementais que se relacionam à terra, os quais chamamos de avissais. Geralmente estão associados a rochas, cavernas subterrâneas e, vez ou outra, vêm à superfície. Atuam como transformadores, convertendo elementos materiais em energia. Também são preciosos coadjuvantes no trabalho dos bons espíritos, notadamente quando há a necessidade de criar roupas e indumentárias para espíritos materializados. Como estão ligados à terra, trazem uma cota de energia primária essencial para a re-constituição da aparência perispiritual de entidades materializadas, inclusive quando perderam a forma humana ou sentem-se com os membros e órgãos dilacerados.
Não podia imaginar que esses seres tivessem uma ação tão ampla e intensa.
Os elementais são seres que ainda não passaram pela fase de humanidade. Oriundos dos reinos inferiores da natureza e mais especificamente do reino animal, ainda não ingressaram na espécie humana. Por essa razão trazem um conteúdo instintivo e primário muito intenso. Para eles, o homem é um deus. É habitual, e até natural, que obedeçam ao ser humano e, nesse processo, ligam-se â ele intensamente. Portanto, meu filho, todo médium é responsável pelo bom ou mau uso que faz dessas potências e seres da natureza.
Ondinas, sereias, gnomos e fadas são apenas denominações de um vocabulário humano, que tão-somente disfarçam a verdadeira face da natureza extrafísica, bem mais ampla que as percepções ordinárias dos simples mortais. Em meio à vida física, às experiências cotidianas do ser humano, enxameiam seres vivos, atuantes e conscientes. O universo todo está repleto de vida, e todos os seres colaboram para o equilíbrio do mundo. A surpresa com a revelação dessa realidade apenas exprime nossa profunda ignorância quanto aos "mistérios" da criação.
As questões relativas aos seres elementais levantam, ainda, novo questionamento. Os elementais — sejam gnomos, duendes, salamandras ou quaisquer outros — são seres que advêm de um longo processo evolutivo e que estagiaram no reino animal em sua fase imediatamente anterior de desenvolvimento. Portanto, devem ter uma espécie de consciência fragmentária. Onde e em que momento está o elo de ligação desses seres com a humanidade? Quer dizer, em que etapa da cadeia cósmica de evolução esses seres se humanizarão e passarão a ser espíritos, dotados de razão? Até hoje os cientistas da Terra procuram o chamado "elo perdido". Estão atrás de provas concretas, materiais da união entre o animal e o ser humano e buscam localizar o exato momento em que isso teria ocorrido. Em vão. Os espíritos da natureza, seres que concluíram seu processo evolutivo nos reinos inferiores à espécie humana, vivem na fase de transição que denominamos elemental. Entretanto, o processo de humanização, ou, mais precisamente, o instante sideral em que adquirem a luz da razão e passam a ser espíritos humanos, apenas o Cristo conhece. Jesus, como representante máximo do Pai no âmbito do planeta Terra, é o único que possui a ciência e o poder de conceder a esses seres a luz da razão. E isso não se passa na Terra, mas em mundos especiais, preparados para esse tipo de transição. Quando soar a hora certa no calendário da eternidade, esses seres serão conduzidos aos mundos de transição, adormecidos e, sob a interferência direta do Cristo, acordarão em sua presença, possuidores da chama eterna da razão. A partir de então, encaminhados aos mundos primitivos, vivenciarão suas primeiras encarnações junto às humanidades desses orbes. Esse é o motivo que ocasiona o fracasso da busca dos cientistas: procuram, na Terra, o elo de ligação, o elo perdido entre o mundo animal e o humano. Não o encontrarão jamais. As evidências não estão no planeta Terra, mas pertencem exclusivamente ao plano cósmico, administrado pelo Cristo.
O plano da criação é verdadeiramente grandioso, e a compreensão desses aspectos desperta em nós uma reverencia profunda ao autor da vida.
Fonte:
Livro: Aruanda
Médium: Robson Pinheiro
Espírito: Ângelo Inácio
Editora: Casa dos Espíritos Editora